Há um pequeno animal em todos nós. E devemos festejar isso. É o nosso instinto animal que nos faz buscar conforto, calor.
Procurar uma alcateia. Podemos sentir-nos enjaulados. Podemos sentir-nos encurralados. Mas como humanos, arranjamos maneiras de nos sentirmos livres. Protegemo-nos uns aos outros. Somos os guardiões da nossa humanidade.
E apesar de haver um animal dentro de todos nós... O que nos distingue dos animais é que pensamos, sentimos, sonhamos e amamos. E contra todas as expectativas, contra todos os instintos... Evoluímos
Estendidos no recato das dunas a memória dos dias esquecidos ouvimos os Blues abrir a imaginação dos labirintos obscuros despertando monstros escondidos segredando ao megafone por entre as sombras da realidade num orgasmo de gritos sufocados e silenciosos meretriz metadona que nos ilumina a mente em torrentes de lava e espasmos quentes a encher a noite de fantasmas num sarcasmo de um conto de fadas.
Despojado na calçada esse sentimento alado que resvala de alma em alma pedante caduco herdeiro das folias errantes fugidio da sanidade sã da luz do dia
Esconde-se por trás da noite qual criatura sombria macabra esguia
Torturado pela beatitude amante da aberração lírica
Vagueio sem destino sem sair do lugar penso sem pensar olho sem olhar falo sem falar Corro o mundo com os olhos fechados com os ouvidos tapados sem respirar Escondo-me refugio-me procuro o equilíbrio sem procurar Escuto sem ouvir suo sem transpirar admiro sem admirar escrevo sem escrever Vagueio sem destino Vagueio no limbo Vagueio sem vaguear
Procuro no meu jardim o cheiro inebriante da paixão o desejo do pecado aquela sensação de imensidão incitada pela loucura pelo frenesim possuído pelas feromonas libertadas dessa essência macabra
Procuro no meu jardim o sonho da liberdade para o desejo ocultado na rede da maldade que vive ofuscado pelas ninfas inebriantes que por meros instantes exalam o mau-olhado
Procuro no meu jardim esse aroma radiante libertado pelo teu corpo pela respiração ofegante pelos suores frios pelo anseio contido no prazer anunciado pelo climax apaixonado
Percorro uma rua sem nome Por entre uma multidão desconhecida Sinto os seus olhares vazios Sinto os seus sentimentos frios Como aqueles que me perseguiam O assombro apressa o passo A solidão provoca o ardor O medo o terror Não há palavras que nos digam Quão funda pode ser a dor
Basta um olhar Um silêncio Um gesto apenas Para a alma se preencher De imagens serenas
Absorvo o teu reflexo Como o de um vampiro no espelho Sacio-me com o teu perfume Que me preenche o desejo A tua pele clara e desnuda Fervilha-me o sangue regelado Cria-me suores dolorosos Que se deleitam no ceio do afago Espinhos cravam-me a mente No prazer da luxúria A ira balança no limbo Na saudade cravo a sua cura
Ausente sinto ardor faminto ritmo de ternura ardor sem cura ausência capaz do céu será tela sem tino dor no limbo procuro o infinito procuro o destino encontro a alma sedenta de fama fado em mim sentinela ausente guarda sem mente Desejo sem Fim
Pecado erudito Invade-me a alma Segredando fantasias Que afagam a chama Pecado errante Percorre-me as veias Tóxico viciante Ópio dominante Do consumo carnal Do chamamento animal Pecado escondido Nas sombras do mal
Caminho pelo reflexo Da luz que me tormenta No chão em mim Caminho caminhando Sem sentido nem destino Nesta rua sem fim Fujo da voz Que segreda em mim Pensamentos que penso Sentimentos que sinto Aos quais quero resistir Dos quais quero fugir Das vozes que me atormentam A lucidez em mim Tenho receio de adormecer Num sono sem fim
Sinto o sopro quente que me invade a alma Sinto o som forte do batuque no meu peito Da prisão feita da mágoa em mim Do calor intenso das chamas sem fim Deleito prazer do calor desmedido Deste Amor incessante faminto